“(…) Eu to naquele sei lá sem fim e que me atormenta, me tira do sério, me tira o sono. Eu bem queria que isso tudo fosse amor. Que as minhas dores nas pernas fossem por correr ao lado dele, mas é só o cansaço. Eu bem queria que a dor no peito fosse de um coração partido, mas é só a minha constante falta de ar. Eu bem queria que as minhas olheiras fossem das noites viradas falando com ele no telefone, mas é só a minha insônia. Eu bem queria que tudo isso fosse paixão, daquelas que te embalam, te levam e quando você vê, já não é mais seu. Não se pertence mais. Quando você vê, já perdeu a cabeça. Mas, não é. Não é nada disso. É só um não sei. A porra de um sei lá, meio torto, meio chato, meio nada… E que me dá vontade de chorar as pitangas. E sair sambando. E viajar. E perder o juízo, a cabeça, fazer aquilo que me der na telha. Quem sabe até dançar frevo na estação da Luz ás seis da tarde. Ou cantar Chico em frente ao MASP e beijar um desconhecido na Praça da República. Por um instante, esquecer tudo a minha volta. Me esquecer. E só lembrar de ver o mundo e o infinito que nos espera todos os dias. (…) Encarar tudo isso com os olhos, os ouvidos, com o nariz, a boca, o coração, e com as mãos e os pés. Encarar esta vida com o corpo todo e alma por inteira. Por que não?
Por que não falam mais ”eu-te-amo-pra-caralho-e-me-jogaria-de-um-penhasco-por-você”? Não tem mais isso. Esse amor revoltado que quebra os ossos, infla o ego, incha a boca e enche a alma de prazer. Tá um sei lá geral, um sei lá que se espalhou por aí e ninguém sabe o porquê. (…) Um sei lá que ocupou tanto espaço, que ninguém mais tem paciência pra um discurso de mais de 140 caracteres. Nem pra um amor de vida inteira.
~ Maria Clara